sexta-feira, 23 de julho de 2010

sex sells.

Não sei se será da idade, das hormonas, ou de outra qualquer razão que desconheço, mas cada vez mais me intriga a diferença entre sexo e amor. Finalmente percebi que a diferença reside no cheiro que nos fica na pele após o acto. Um cheiro que no dia-a-dia não nos pertence. De qualquer das formas, tenho vindo a perceber que o "cheiro" só fica quando se ama. Caso contrário, será sempre apenas mindless sex.

O querido e adorado mindless sex. Porque não ? Mais cedo ou mais tarde toda a gente tem uma escapadela, ou não fosse a Cidália Dias escrever sobre o assunto. E, sem pudor nem escrúpulos, convenhamos que sabe bem. Muuuuuuito bem.

Então porque tanto problema com isso ? Ele já estava à espera, no carro, à esquina da minha rua. E enquanto descia, pensava em todas aquelas questões, todos os entraves, todos os aspectos positivos. Devia estar doida. Fuck it. Pensava no mindless sex, puro e duro. E então entrei no carro.

Não me lembrava de grande coisa para falar ou sequer pensar, muito menos quando chegámos ao destino. Era outra pessoa, eu totalmente fora de mim. Sabia o que fazia, e mesmo tendo o cérebro a funcionar a quinhentos por hora, nem de um sexto sentido precisava. Estava cada vez mais perto da catarse absoluta. E começava a saborear o momento como quem saboreia um gelado no Verão, tendo a certeza que a sensação não passaria tão cedo.

E no fim, recordo-me de uma célebre frase, muito utilizada pela Cidália: “oh god, make me good, but not yet !”. Parece-me que isto é apenas uma maneira de dizer que ainda não acabou.

Sex sells. Even better, mindless sex sells. Quanto mais não seja, uma grande dose de algo em que pensar. E ainda bem que assim é.

sábado, 3 de julho de 2010

de noite.

Sentada, com uma folha em branco à minha frente, sinto um rol de palavras na minha mente. A desfilar, presas a mim como um parasita ansioso por libertação, ou por um hóspede que o acolha. Decidi ser o hóspede, não oferecer a necessária libertação. Preciso de agarrar nas palavras e transformá-las, usá-las, sentir a sua musicalidade numa frase imperfeita desta folha meio-cheia. Começava já a pensar que nunca mais iria ter inspiração para tal, afinal, sou só uma perdida da vida, que aterrou aqui de pára-quedas sem saber muito bem de onde veio nem para onde vai.

E que não espera respostas tão cedo. Nado num mar de sentimentos, sentidos e nadas, em busca de uma resposta coerente e certa do porquê de amar. Oh, o amor. Esse bicho enorme, essa coisa esquisita que todos procuram e ninguém encontra. As cartas de amor já não se usam e o romantismo praticamente morreu. Mas continuamos à procura. E se um dia nos bater à porta ? Adivinhamos o que fazer. Sorrimos, e corremos os riscos necessários, podendo acabar com um coração partido ou... quem sabe ? Talvez encontrar o príncipe encantado.

Continuo a pensar que isto são ideias de filmes, algo que Hollywood incutiu entre nós, tal como os contos de fadas que contamos às crianças as levam a acreditar em dragões, bruxas e fadas. Talvez seja só uma céptica, ou apenas alguém que já teve o coração partido demasiadas vezes. Partido, não. Estralhaçado. Sou apenas alguém que não consegue entender a razão de um “amo-te” mentiroso. Mas sei que, algures numa gaveta da minha mente guardo espaço para acreditar. Mesmo que seja uma gaveta velha, suja e poeirenta, enterrada do meio desta confusão de sentimentos e palavras.

Mas esta noite, sinto-me pronta para acreditar. Pronta para esquecer, desenterrar a gaveta perdida e acreditar, simplesmente. Sinto-me inspirada. Sinto-me viva. Sinto-me eu.

(E já não era sem tempo.)